RIO - Dos 18 filmes brasileiros submetidos à censura do governo chinês pela organização do IIº Brazil Film Fest, que acontece em novembro, na China, apenas nove foram aprovados para exibição no país asiático. Entre as produções vetadas pelo comitê de censura do Partido Comunista local estão os documentários "Uma noite em 67", de Renato Terra e Ricardo Calil, e "Dzi croquetes", de Tatiana Issa e Raphael Alvarez , além do longa "Bandido da luz vermelha", de Rogério Sganzerla. Os responsáveis pela censura, porém, não deram satisfações sobre o veto.
A curadora do festival, Ana Maria Bochi, que vive há três anos na China, já suspeitava que os documentários seriam proibidos, por conta de seus contextos políticos (os dois têm a ditadura brasileira como pano de fundo), mas não quis fazer auto-censura:
- Eu quis arriscar. Além disso, escolhi morar lá e tenho que respeitar o governo, por mais que não concorde - pondera.
Entre as nove produções consideradas inofensivas à população chinesa estão três animações infantis. O governo chinês tolera, além delas, o sexo no cinema. "Malu de bicicleta", longa de Flávio Tambellini, foi aprovado, para surpresa de Ana Maria:
- Eu não levei fé. Tem cenas de sexo e achava que seria cortado também.
Além dos nove filmes censurados, "Linha de passe", de Walter Salles, precisaria passar por um processo de edição para ser exibido, mas os responsáveis pela censura não informaram quais cenas deveriam ser cortadas.
- Como somos contra cortes, decidimos não exibir o filme - explica a curadora.
Renato Terra, diretor de "Uma noite em 67", disse que quando soube que o filme estava sendo submetido à censura, previu sua proibição:
- Eu imaginei que isso fosse acontecer, mas a sensação é de que voltamos àquela época do documentário.
O Brazil Film Fest acontece de 4 a 8 de novembro em Pequim e de 11 a 13 em Xangai.