Nas rodas de conversas dos amigos, um assunto vem dominando: o filme “De Pernas pro Ar”. Todos comentam as loucuras e maluquices vividas pela personagem da atriz brasileira Ingrid Guimarães, que vive o perfil das mulheres atarefadas do século 21. Ainda não tive a oportunidade de assisti-lo, mas “De Pernas pro Ar” representa um novo momento do cinema brasileiro. As comédias estão dominando cada vez mais as produções e, com o enorme sucesso delas, esta é uma tendência que deve prevalecer neste ano.
No começo dos anos 2000, logo após o incrível sucesso e reconhecimento do filme “Cidade de Deus”, que rendeu até mesmo uma indicação para Fernando Meirelles ao Oscar de Melhor Diretor, o Brasil adotou os chamados “filmes-favela” como tema principal. Assim vieram “Cidade dos Homens”, “Salve Geral”, “Carandiru”, “Última Parada 174”, dentre outros. O “gênero”, se é que podemos chamá-lo desta forma, compreendia um momento em que a violência nas grandes metrópoles brasileiras estavam sendo discutidas a todo instante.
No entanto, o gênero ficou desgastado até que apareceu “Tropa de Elite”. José Padilha, um dos melhores diretores que temos por estas bandas, conseguiu realizar uma obra que incomodava o governo mostrando como a corrupção havia se tornado um dos causadores da violência, principalmente no Rio de Janeiro. O sucesso de “Tropa de Elite”, que ainda ficou melhor com o lançamento do segundo filme, tinha tudo para dar uma sobrevida para que os “filmes-favela” voltassem com ainda mais força ao cenário do cinema nacional. Bem, não foi isso que aconteceu.
Em 2009, os três blockbusters nacionais com mais de dois milhões de espectadores usaram a piada como isca. “Seu Eu Fosse Você 2”, “A Mulher-Invisível” e “Os Normais 2” foram os responsáveis por levarem o riso para os brasileiros e, desta forma, atraindo um público que aumentava semana após semana. E isso explica exatamente o cenário de 2011. Só agora em janeiro, duas comédias já foram lançadas e se tornaram sucessos de público. “De Pernas pro Ar” é um dos exemplos e aquele que mais chama atenção devido ao burburinho que ele tem causado nas conversas de boteco.
Isso comprova o quanto o cinema nacional tem a capacidade de também se reinventar. Por mais que os filmes não sejam exatamente de qualidade, o importante é perceber que eles têm servido de atrativo para o público. Após 2010, um ano recheado de produções espíritas em homenagens à Chico Xavier e também do sucesso surpreendente de “As Melhores Coisas do Mundo”, se depender deste mês de janeiro o ano do cinema brasileiro será de muitas comédias.
E é natural que os distribuidores estejam apostando nestes filmes, assim como os diretores também abracem estes projetos. Tem atrativos melhores para eles do que “público” e “dinheiro”? O cinema nacional agora vive outros ares, que saem da dramaticidade da violência, partindo para o encontro do riso fácil de seus espectadores.

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